A partir da aplicação de microagulhas que geram lesões controladas na pele, o microagulhamento desencadeia uma série de respostas fisiológicas no tegumento. 

Trata-se, em suma, de um recurso técnico-dependente; portanto, a eficácia dos resultados depende da aplicação do profissional. Quando aplicado superficialmente, promove efeitos predominantemente epidérmicos, potencializando a permeação transdérmica de ativos. No entanto, ao ser aplicado em maior profundidade, atinge a derme, estimulando a produção de colágeno e favorecendo a regeneração tecidual.

Qual é a profundidade ideal das agulhas de microagulhamento?

O tamanho das agulhas utilizadas no procedimento depende do objetivo terapêutico. Caso o intuito seja realizar drug delivery, promovendo a permeação transdérmica de ativos (como no tratamento de hiperpigmentações ou alopecia), utiliza-se, em geral, a profundidade de 0,5 mm. Assim, não buscamos induzir um processo inflamatório nem estimular a produção de colágeno.

Por outro lado, quando a finalidade é provocar lesão tecidual controlada para estimular a produção de colágeno e, então, a regeneração do tecido, empregam-se agulhas de 1,5 mm.

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Caneta ou roller: por qual optar?

Do ponto de vista técnico-científico, não há diferença significativa nos resultados quando os recursos são aplicados corretamente. Contudo, na prática clínica, há algumas distinções claras.

Com a caneta, é possível graduar a profundidade durante a sessão, ajustando-a conforme o objetivo terapêutico. O roller, por outro lado, não permite essa variação. Em termos de custo, a caneta tende a ser mais econômica a longo prazo, devido ao menor valor dos cartuchos; já o roller costuma ser mais econômico a curto prazo.

A aplicação também difere entre os dois dispositivos:

  • No roller, trabalha-se com aproximadamente 6 N de pressão e uma média de 15 passadas;
  • Na caneta, não há necessidade de aplicar pressão, e geralmente utiliza-se uma média de 10 passadas.

Quanto aos cartuchos da caneta, existem diferentes configurações e não há estudos comparativos conclusivos entre eles. A maior parte das pesquisas utiliza cartuchos de 36 agulhas, mas há, também, opções com 12 agulhas. Alguns autores relatam que cartuchos de 12 agulhas tendem a ser mais confortáveis, enquanto os de 36 produzem um trauma mais intenso e, consequentemente, podem resultar em um tempo maior para alcançar a regeneração tecidual.

De modo geral, ambos oferecem resultados eficazes, desde que sejam utilizados de maneira adequada. 

Imagem retirada do livro “Raciocínio Clínico Aplicado à Harmonização: Facial e Corporal

Quantas sessões são necessárias para entregar resultados?

Os resultados do microagulhamento dependem de algumas variáveis. Entre as mais relevantes estão, por exemplo, a correta execução da técnica, o uso de agulhas com tamanho ideal, o controle da pressão aplicada e a escolha apropriada das substâncias utilizadas. Trata-se de um procedimento técnico-dependente; assim, a precisão do profissional determina grande parte da eficácia.

Ainda, é essencial que o paciente possua condições fisiológicas para responder ao estímulo, tendo em vista que é o trauma gerado que desencadeia o processo de regeneração tecidual. Pacientes com anemia, deficiência de vitamina B12, deficiência de ferro ou baixa disponibilidade de vitamina C, por exemplo, tendem a apresentar resposta reduzida. Aspectos como estado hormonal e faixa etária também interferem significativamente: quanto maior a idade, menor tende a ser a capacidade de reparação tecidual.

Quando bem executado, o tratamento costuma apresentar bons resultados após 3 a 4 sessões.

Quais são as contraindicações e os efeitos adversos do microagulhamento?

As contraindicações gerais para o uso do microagulhamento incluem:

  • Infecções cutâneas ativas;
  • Pacientes gestantes e lactantes;
  • Acne inflamatória;
  • Herpes labial em fase ativa;
  • Dermatoses crônicas moderadas a graves, como eczema e psoríase;
  • Pacientes com distúrbios de coagulação ou cicatrização, incluindo tendência à formação de queloides;
  • Pacientes em uso de anticoagulantes ou imunossuprimidos.

Em relação aos efeitos adversos, destacam-se o eritema e a irritação cutânea, que costumam desaparecer poucas horas após a sessão. Contudo, há relatos clínicos e registros na literatura que descrevem eventos como hiperpigmentação pós-inflamatória, reativação de acne ou herpes, hipersensibilidade sistêmica, reações alérgicas granulomatosas, dermatite de contato, infecções locais e o chamado tram track effect. Esse, por sua vez, caracteriza-se pela formação de cicatrizes papulares distribuídas de forma linear, nos sentidos horizontal e vertical, assemelhando-se a um trilho ferroviário.

Quais são os ativos indicados no tratamento?

O uso dos ativos depende dos efeitos esperados em cada procedimento estético. 

Pode-se utilizar ativos como minoxidil ou chá verde na alopecia. Por outro lado, para o tratamento de manchas, especialmente melasma, trabalha-se com agulhas de 0,5 mm associadas a ativos como ácido tranexâmico, arbutin ou ácido kójico.

No rejuvenescimento cutâneo, a vitamina C é um dos ativos de maior eficácia e segurança, sendo, portanto, a minha principal recomendação. Para cicatrizes hipotróficas de acne, a combinação com fatores de crescimento, como FGF, EGF e TGF-β, é indicada. Já no tratamento de estrias, a associação com vitamina E é eficaz, contribuindo para a melhora da integridade e elasticidade da pele.

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