Os peelings químicos se destacam como importantes aliados na estética facial. Assim, os ácidos atuam de forma eficaz no controle da acne e do melasma, além de contribuírem para o rejuvenescimento da pele.

Considerando os níveis de evidências científicas e segurança que oferecem, eu trago, no texto de hoje, 5 ácidos amplamente utilizados na prática clínica.

Kójico

No manejo de melasma, a ação clareadora ocorre por meio da inibição da enzima tirosinase, interrompendo a melanogênese. Além disso, o ativo apresenta ação quelante sobre íons de cobre e ferro, favorecendo sua captação, transporte e eliminação pelo organismo, o que contribui para a redução de pigmentos cutâneos, como a hemossiderina. 

O efeito despigmentante, ademais, está relacionado à dispersão e eliminação dos grânulos de melanina já depositados. A literatura científica ainda descreve os ácidos kójicos como agentes antioxidantes, capazes de reverter as reações de oxidação que convertem a tirosina em dopaquinona.

Concentração

1% a 5% em home care, e até 20% em protocolos de cabine.

Tricloroacético

Os mecanismos de ação do ácido tricloroacético envolvem desde uma esfoliação química controlada da epiderme até efeitos mais profundos associados à remodelação dérmica, por exemplo. De acordo com a concentração e a técnica utilizada, sua ação pode atingir a derme papilar e, em determinados protocolos, alcançar camadas mais profundas, contribuindo para a melhora da flacidez e de rugas, tanto finas quanto profundas.

A profundidade de penetração e os efeitos terapêuticos dos ácidos dependem diretamente da concentração da solução, do pH e do tempo de contato com a pele. O ATA promove precipitação de proteínas e necrose coagulativa da epiderme, levando à renovação da pele e melhora de manchas, textura e cicatrizes. 

Concentração

10% a 50% para efeito peeling. Na concentração de 20%, produz um peeling de médio alcance e com menor risco de complicações. Importante: A profundidade do efeito depende não só da concentração, mas também do volume aplicado em cada camada. É preciso ter atenção caso a aplicação sobre camada seja realizada. 

Glicólico

Os efeitos do ácido glicólico são dependentes de fatores como concentração, pH, veículo de aplicação e características da pele do paciente. 

No rejuvenescimento, sua eficácia está diretamente relacionada à capacidade de promover renovação celular, hidratação e vasodilatação dermoepidérmica, com consequente estímulo da atividade fibroblástica. Para que haja estímulo efetivo dos fibroblastos e produção de fibras dérmicas e componentes da matriz extracelular, é necessário que o ativo ultrapasse a lâmina basal, atingindo a derme papilar e desencadeando uma resposta inflamatória local controlada. Essa permeação está associada à força de ação do ácido, que aumenta com maiores concentrações e menor pH.

Na epiderme, atuando como peeling superficial, o ácido glicólico acelera a renovação celular e melhora a hidratação, contribuindo para a suavização de linhas de expressão, melhora da textura cutânea e redução de hiperpigmentações superficiais. Na derme, entretanto, quando utilizado como peeling de média profundidade, promove vasodilatação, melhora da oxigenação e nutrição tecidual, além de estimular a atividade dos fibrócitos, favorecendo a produção de colágeno, elastina e glicosaminoglicanos, como o ácido hialurônico. Esses efeitos contribuem para a correção de rugas, desde as mais finas até as mais profundas, além de alterações cicatriciais hipotróficas.

Por outro lado, na acne, o seu valor terapêutico está relacionado à capacidade de promover uma leve epidermólise, facilitando o desalojamento de comedões e a consequente redução de pústulas que acometem o epitélio folicular. Além disso, contribui para o controle da hiperqueratinização do ducto pilossebáceo

No tratamento do melasma, atua por meio do remodelamento epidérmico, promovendo descamação acelerada, além de exercer efeito inibitório sobre a síntese de melanina, favorecendo, portanto, a dispersão do pigmento. Trata-se de um ativo altamente hidrofílico, com propriedades queratolíticas e antioxidantes.

Concentrações:

Manejo de acne: 10% a 30% para peeling superficial.
Manejo de melasma: 30% a 50% para peeling superficial. Em 70% e em pH abaixo de 1,0, pode tornar-se um peeling de profundidade média.
Rejuvenescimento: Na prática clínica, é utilizado em concentrações que variam de 20% a 70%. Como home care, sua utilização é em forma de sabonetes líquidos ou formulações dermocosméticas, em concentrações de 1% a 10%.

Salicílico

Por apresentar propriedades queratolíticas e sebostáticas, o ácido salicílico reduz a coesão entre os corneócitos e promove a desobstrução dos folículos pilossebáceos, estimulando o turnover celular, ou seja, a renovação epidérmica. Sua ação antisséptica contribui para o equilíbrio das manifestações seborreicas, sendo especialmente indicado para peles oleosas e acneicas.

Além disso, devido ao seu caráter lipofílico e às suas propriedades queratolíticas, bactericidas e anti-inflamatórias, o ácido salicílico atua na redução da produção sebácea, no controle da hiperqueratinização dos ductos foliculares, na diminuição da proliferação bacteriana e na modulação do processo inflamatório característico da acne.

Concentração

Na clínica, é utilizado em concentrações que variam de 14% a 30%. Em home care, em concentrações de 1% a 8%.

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Retinoico

Apresenta ação comedolítica comprovada, pois favorece a eliminação dos comedões ao acelerar a proliferação celular na camada basal. Essas propriedades reforçam a eficácia dos ácidos retinoicos, especialmente no tratamento da acne comedogênica. Além disso, o ativo contribui para a redução da excreção sebácea em pacientes acneicos, modulando a produção de lipídios na superfície cutânea.

No melasma, o ácido é capaz de promover a destruição controlada das camadas superficiais da pele envelhecida ou danificada, favorecendo a renovação tecidual e resultando em uma pele com aspecto mais jovem e saudável. Destaca-se especialmente nas alterações de pigmentação, uma vez que reduz a quantidade de melanina depositada, contribuindo para a melhora de hiperpigmentações salpicadas e para a uniformização do tom cutâneo, exercendo, assim, ação despigmentante.

Para promoção do rejuvenescimento, o ácido apresenta a capacidade de aumentar a espessura epidérmica, reduzir a expressão de metaloproteinases e estimular a síntese de colágeno. Evidências clínicas recentes reforçam o potencial do ácido retinoico em promover maior produção de colágeno, contribuindo, assim, para a suavização de linhas de expressão e rugas finas.

Além disso, estudos in vitro demonstram que concentrações adequadas de retinol em fibroblastos dérmicos humanos favorecem o aumento da expressão gênica de elastina e fibrilina-1, estimulando a formação de fibras elásticas e melhorando a qualidade da matriz extracelular.

Concentração

Em home care, de 0,025% a 0,1%. Em cabine, de 5% a 10%.

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