A hipercromia cutânea, também conhecida como melasma, é um distúrbio hipermelanótico comum, intensificado pela fotossensibilização. Essa alteração estética caracteriza-se pelo surgimento de máculas e manchas hiperpigmentadas, assintomáticas, que se distribuem de forma simétrica na face.

A fisiopatologia das hiperpigmentações faciais envolve uma interação complexa entre fatores hormonais, como gestação, terapias hormonais e uso de contraceptivos orais, predisposição genética e exposição à radiação solar.

Com o inverno se aproximando, período mais favorável para o manejo dessa afecção, eu preparei 3 estratégias terapêuticas eficazes para tratamento de melasma.

Microdermoabrasão no melasma

Estudos demonstram que a microdermoabrasão favorece uma distribuição mais homogênea dos melanossomas na epiderme, além de contribuir para a redução da melanização dessa camada. Entretanto, observa-se melhor resposta clínica quando o melasma está associado ao envelhecimento cutâneo.

Em clínica, a técnica atua na remoção da porção mais superficial do estrato córneo já pigmentado, interferindo na terceira via da melanogênese. Ainda assim, seu principal benefício está na potencialização da permeação transdérmica de ativos despigmentantes (como a vitamina C, por exemplo), otimizando os resultados dos protocolos associados.

Para esse fim, a aplicação deve ser conduzida de forma controlada, evitando o processo inflamatório:

  • Pressão máxima de -200 mmHg
  • Até 2 passadas leves na área tratada

LEIA TAMBÉM: 5 ácidos de alta eficácia na estética facial

Fototerapia de baixa intensidade no melasma

Estudos sugerem que a fotobiomodulação pode reduzir o conteúdo de melanina, além de inibir a maturação dos melanossomas e a atividade da enzima tirosinase quando utilizados comprimentos de onda nas faixas do âmbar, vermelho e infravermelho (585, 660, 830 e 850 nm). Esses efeitos estão associados à regulação negativa da expressão gênica e à redução da síntese proteica de marcadores-chave da melanogênese, como tirosinase, TRP-1, TRP-2 e o fator de transcrição MITF.

Por outro lado, comprimentos de onda na faixa do azul (450 a 470 nm) demonstram efeito oposto, promovendo aumento da melanogênese por meio da regulação positiva desses mesmos genes, elevando a atividade da tirosinase e de seus cofatores.

Portanto, há evidências de melhora do eritema e da hiperpigmentação com protocolos semanais utilizando luz âmbar ou vermelha, ao longo de aproximadamente 8 semanas.

Cosmetologia no tratamento de melasma

Para um tratamento eficaz da afecção, é fundamental que o profissional de Estética atue de forma integrada em todas as etapas da melanogênese; isto é, antes, durante e após a produção de melanina.

Trago, portanto, três sugestões de ácidos que atuam de forma estratégica nas diferentes vias do manejo da melanogênese.

Tranexâmico

Atuando antes da síntese de melanina, o ácido tranexâmico reduz a atividade da plasmina induzida pela radiação UV e, consequentemente, a liberação de ácido araquidônico, modulando a cascata inflamatória envolvida na melanogênese. Esse mecanismo interfere na liberação de fatores de crescimento, considerada uma das principais vias de ação desse ácido no tratamento das hiperpigmentações.

Evidências demonstram que muitos casos de melasma apresentam componente vascular em sua fisiopatologia, caracterizado pelo aumento do número e do calibre dos vasos. Assim, o ácido tranexâmico se destaca como uma abordagem eficaz por sua ação indireta sobre a tirosinase e por seu efeito clareador, anti-inflamatório e antiangiogênico.

Concentração: 5 a 10%.

Azelaico

Durante a melanogênese, o ácido azelaico atua por meio da inibição da síntese de DNA e de enzimas mitocondriais, promovendo efeitos citotóxicos diretos sobre os melanócitos.

Apresenta ação seletiva, atuando preferencialmente em melanócitos hiperativos e disfuncionais, com mínima ou nenhuma interferência sobre outras células cutâneas ou melanócitos em estado fisiológico.

Concentração: 5 a 20%.

Glicólico

O ácido apresenta eficácia no manejo do melasma por promover o remodelamento epidérmico, induzindo uma descamação acelerada da camada córnea. Além disso, exerce efeito inibitório sobre a síntese de melanina, favorecendo a dispersão mais rápida do pigmento. Atua, então, depois da melanogênese.

Caracteriza-se por alta hidrofilia, com propriedades queratolíticas e ação antioxidante, o que contribui para a renovação cutânea e para a modulação do processo melanogênico.

Concentração: 30% a 50% para peeling superficial.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here