Dentre os diferentes tipos de hiperpigmentação cutânea, a mais frequente é o melasma, que consiste em manchas marrons, claras ou escuras, que têm bordas simétricas mal definidas e costumam se localizar na região facial. O gerenciamento dessa afecção, apesar da sua grande recorrência clínica, ainda causa dúvidas em muitos profissionais da Estética. 

Para elucidar bem os processos que envolvem o melasma e possibilitar a entrega de resultados, eu trago alguns conceitos que dizem respeito a esse tipo de hiperpigmentação.

Dados e causas

Em um estudo realizado na Universidade Federal de Santa Catarina, com 51 mulheres, concluiu-se que pacientes que apresentam melasma têm a qualidade de vida afetada devido à presença da afecção: 94,11% se sentem incomodadas com a aparência da pele, e 78.43% não se consideram atraentes pelo mesmo motivo.

Sabendo disso, entende-se que os tratamentos estéticos influenciam, inclusive, na saúde mental de inúmeras pessoas.

A literatura científica corrobora determinados fatores que podem desencadear o melasma, visto que atuam no processo de ativação da melanogênese. Os principais são:

  • Fatores genéticos;
  • Exposição à radiação ultravioleta;
  • Distúrbios hormonais;
  • Influência medicamentosa.

Microagulhamento e melasma

Embora existam artigos científicos que apontam o uso de microagulhamento para tratar melasma, sabe-se que os efeitos que esse recurso tem quando aplicado à hiperpigmentação cutânea estão relacionados com a permeação transdérmica de ativos.


Para esse propósito, é perfeitamente possível trabalhar com variáveis dos próprios peelings químicos, que têm uma eficácia maior e já estão bem consolidados na literatura. Lembre-se: os peelings químicos são o recurso de primeira linha para o tratamento de melasma.  

Por isso, não considero o microagulhamento um aliado da minha clínica quando o assunto é melasma. Afinal, quando nos remetemos a essa afecção, ainda não há segurança em relação aos efeitos e às rotas de atuação da técnica.

Como ocorre a melanogênese

Entender a melanogênese é fundamental para que seja possível gerenciar o melasma. 

Em suma, o melanócito – que se encontra na camada basal da epiderme – hospeda, em seu interior, os melanossomas, responsáveis pela síntese e armazenamento da melanina.

Os melanócitos possuem prolongamentos que introduzem os melanossomas no interior dos queratinócitos, em um processo que chamamos de melanogênese. 

As 3 vias do tratamento

Para que o tratamento do melasma seja eficaz, o profissional da Estética deve atuar nas três vias da melanogênese: antes, durante e depois da produção de melanina.

Eu considero a associação de ativos tópicos e nutricosméticos uma excelente forma de gerenciar essa afecção — e, sempre que viável, complementar com recursos de eletroterapia.

Dou ênfase aos tratamentos com uso de ácidos. Vejamos as principais indicações para cada uma das fases:

  • Antes da síntese de melanina: a tretinoína e o tranexâmico;
  • Durante a síntese: azelaico, kójico, arbutin, ascórbico e a niacinamida (a hidroquinona também é uma opção; no entanto, desaconselho o seu uso, já que os seus possíveis efeitos colaterais são eritema, descamação, e danos permanentes na pigmentação da pele);
  • Depois da síntese de melanina: glicólico, kójico, arbutin, ascórbico e a niacinamida. 

A formulação que é clássica na minha prática clínica para tratamento de melasma, visto que se tratam de ácidos que atuam nas 3 vias da síntese de melanina, é a associação de tranexâmico, arbutin e glicólico.

Recursos contraindicados em peles com melasma

Tendo em vista que o calor é um dos gatilhos do melasma, aplicar recursos como a radiofrequência e o vapor de ozônio – que promovem esse efeito – é um grande risco. 

Além disso, a fototerapia de alta intensidade tem a capacidade de gerar um dano térmico no melanócito; devido a isso, a possibilidade de efeito rebote é muito grande, resultando em recorrência da afecção em cerca 50% dos casos.

Já a fototerapia de baixa intensidade, por outro lado, apresenta evidências científicas que a mostram como promissora para o tratamento de melasma.

Os artigos Inhibitory effect of 660-nm LED on melanin synthesis in in vitro and in vivo e Light-emitting diode 585 nm photomodulation inhibiting melanin synthesis and inducing autophagy in human melanocytes apontam a sua capacidade de inibição da síntese de melanina.

Conclusão

Embora a crescente investigação acerca do controle do melasma resulte em estudos que sugerem diferentes abordagens clínicas, é fundamental ancorarmos nosso trabalho em evidências já consolidadas.

Considerando o alto poder de resposta defensiva dos melanócitos, o risco de efeito rebote e o impacto que essa condição gera na qualidade de vida dos pacientes, sugiro sempre uma conduta terapêutica que siga o caminho mais seguro.  

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REFERÊNCIAS

Raciocínio Clínico Aplicado à Estética Facial (https://editora.esteticaexperts.com.br/livro/raciocinio-clinico-aplicado-a-estetica-facial/)

Bases e Métodos de Avaliação Aplicados à Estética (https://editora.esteticaexperts.com.br/livro/bases-e-metodos-de-avaliacao-aplicados-a-estetica/)

https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0365-05962015000200196&lng=en&nrm=iso#B02

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