As olheiras estão entre as queixas mais frequentes nas clínicas de Estética, podendo impactar significativamente a autoestima e a percepção da própria imagem dos pacientes.

No manejo dessa condição, o preenchimento com ácido hialurônico tem demonstrado resultados eficazes, especialmente em casos relacionados à depressão do sulco lacrimal ou perda de volume na região infraorbital. Entretanto, para que os resultados sejam satisfatórios e seguros, é fundamental que o profissional avalie corretamente a causa das olheiras e escolha a técnica adequada, respeitando a anatomia da região e os princípios de segurança do procedimento.

Anatomia da região infraorbital

A região infraorbital é considerada uma das áreas mais desafiadoras da harmonização facial devido à sua complexidade anatômica, intensa vascularização e à delicada interação entre pele, gordura, músculos, ligamentos e estrutura óssea. Por isso, antes de qualquer protocolo com ácido hialurônico, é fundamental compreender essa região como um sistema tridimensional integrado.

A pele dessa região é extremamente fina e translúcida, o que torna qualquer irregularidade ou excesso de produto facilmente perceptível, exigindo, assim, grande precisão na abordagem. Nos planos superficiais, a gordura é mais frouxa e móvel, o que dificulta o uso de preenchedores. Já os compartimentos profundos oferecem melhor suporte estrutural, tornando-se alvos mais estratégicos para correções, especialmente nas olheiras estruturais. A musculatura orbicular ativa, os ligamentos de retenção e a reabsorção óssea relacionada ao envelhecimento também influenciam diretamente a formação do sulco nasojugal e devem, portanto, ser considerados no planejamento.

Além disso, a região apresenta rede vascular e neural complexa, exigindo técnicas seguras, injeções lentas e volumes controlados. 

Tipos de olheiras

A olheira estrutural está relacionada, sobretudo, à reabsorção óssea do rebordo infraorbital, o que amplia o diâmetro da órbita, associada à atrofia da gordura profunda e à presença de um sulco nasojugal mais evidente. Assim, a alteração não é pontual, mas envolve uma desorganização estrutural mais ampla da região periocular. Por isso, a conduta geralmente envolve preenchimento estrutural profundo, realizado em plano supraperiostal ou submuscular profundo, utilizando produtos capazes de oferecer sustentação de forma controlada. 

A olheira vascular, por outro lado, apresenta fisiopatologia distinta. Ela está associada à congestão venosa, à presença de pele fina e translúcida e, em determinadas situações, à hiperpigmentação decorrente do extravasamento sanguíneo. Frequentemente há influência genética, e o quadro pode, então, se intensificar com o envelhecimento. Nesses casos, o uso de preenchedores não deve ser considerado como primeira abordagem isolada. O foco inicial deve estar na melhora da qualidade cutânea, com estímulo de colágeno, modulação da microcirculação local e otimização da hidratação. Tecnologias associadas e terapias regenerativas, como bioestimuladores, microagulhamento, intradermoterapia, PDRN, exossomos ou fios, podem ser indicadas antes de qualquer tentativa de volumização profunda.

Já a olheira pigmentar resulta do aumento do depósito de melanina, influenciado por fatores genéticos, processos inflamatórios e exposição solar. A inflamação pode intensificar a melanogênese e acentuar, assim, a discromia. Nessa situação, o preenchimento não atua sobre a causa do problema. O manejo deve priorizar abordagens dermatológicas voltadas à despigmentação, como peelings químicos, lasers ou outras tecnologias específicas, por exemplo. 

Na prática clínica, a apresentação mais frequente é a olheira mista, na qual coexistem componentes estruturais, vasculares e pigmentares. 

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Ácido hialurônico no preenchimento

Embora o ácido hialurônico apresente alta biocompatibilidade e possa ser revertido com hialuronidase, a segurança do procedimento depende diretamente do conhecimento anatômico, da escolha adequada do produto e da técnica empregada. O planejamento deve sempre incluir análise estática e dinâmica da região, avaliando profundidade do sulco, qualidade da pele, presença de edema, bolsas herniadas, grau de reabsorção óssea e padrão vascular.

Os planos mais seguros de aplicação são o supraperiostal e o submuscular profundo, devendo-se evitar planos superficiais, como o subdérmico ou intramuscular no orbicular. A técnica com cânula (22G ou 25G) emprega a retroinjeção de microdepósitos profundos em volumes reduzidos, geralmente de 0,05 ml por ponto. Nessa região, o controle volumétrico é fundamental, pois subcorrigir e reavaliar é sempre mais seguro do que exceder o volume inicial.

A prevenção de complicações exige injeções lentas, volumes controlados e atenção constante às zonas de risco.

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