O melasma se trata de um distúrbio hipermelanótico que tem, como principal gatilho, a exposição à luz solar. Em suma, para entregar resultados de qualidade na afecção, é preciso compreender a melanogênese, dominar a despigmentação e evitar a ativação do melanócito, atuando antes, durante e depois da síntese de melanina. 

Os melanócitos, que estão localizados na camada basal da epiderme, apresentam melanossomas. Essas, por sua vez, são organelas responsáveis pela síntese e armazenamento de melasma.  Na melanogênese, os melanócitos estendem seus prolongamentos com o propósito de transferir os melanossomas aos queratinócitos. Assim, garante-se a distribuição da melanina na epiderme.

Considerando as características do melasma, a cosmetologia é o carro-chefe em planos de tratamento eficazes. Confira 7 ativos indicados no manejo da afecção.

Azelaico

O ácido azelaico inibe a síntese de DNA e enzimas mitocondriais. Com isso, induz efeitos citotóxicos diretos sobre melanócitos. Ademais, o ativo atua de forma seletiva em melanócitos hiperativos e anormais.

É, também, um inibidor competitivo da tirosinase, uma enzima essencial para a produção de melanina. Além disso, tem propriedades anti-inflamatórias, uma vez que inibe a produção de citocinas inflamatórias.

Concentrações: 5% a 20%. Em concentrações de 10%, tem efeitos superiores ao da hidroquinona a 2%.

Glicólico no melasma

O ativo atua no melasma de duas formas: 

  • Promoção de uma descamação acelerada que remove as células pigmentadas; 
  • Inibição da produção de melanina, ajudando a clarear as manchas. 

Devido ao seu baixo peso molecular, o ácido penetra facilmente na pele. Apresenta, ainda, efeitos queratolíticos e antioxidantes.

Concentrações: Para uso como peeling superficial, sugere-se concentrações de 30% a 50%. Porém, elevando o pH da formulação para a faixa de 3,5 a 4,5, tem-se uma penetração mais lenta. Assim, em concentrações de 70% e com um pH abaixo de 1,0, ácido glicólico pode atuar como um peeling de média profundidade.

Retinoico

O ácido retinoico modula a forma como as células da pele se multiplicam e se diferenciam. Com isso, desencadeia uma série de processos que regulam a permeabilidade da pele, a diferenciação celular e a resposta imunológica.

Dessa forma, o ácido retinoico promove uma destruição controlada das camadas superficiais da pele, substituindo-as por um tecido mais saudável e jovem. Portanto, é um excelente agente despigmentante, tendo em vista que consegue reduzir a quantidade de melanina, melhorando manchas e hiperpigmentações de maneira geral.

Concentrações: Em home care, pode-se utilizar concentrações de 0,025% a 0,1%. É possível que a aplicação resulte em irritação cutânea local, hiperemia e descamação, reações que podem ser controladas com a diminuição do uso. Em cabine, as concentrações variam de 5% a 10% (5% e 8% para peeling superficial; 10% para peeling médio).

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Arbutin no melasma

No manejo de melasma, o arbutin atua inibindo a atividade primária da tirosinase. É, além disso, um antioxidante. O seu mecanismo de ação se dá pela inibição da produção de melanina no local em que é aplicado.

Concentração: 4%.

Tranexâmico

O ácido tranexâmico age reduzindo a atividade da plasmina, uma substância ativada pela radiação UV que desencadeia a produção de melanina.

Além disso, combate o componente vascular do melasma, tendo em vista que diminui a densidade dos vasos sanguíneos e a liberação de fatores que causam inflamação. O ativo atua sobre a tirosinase e é um agente clareador, reduzindo, também, a liberação de fatores angiogênicos e anti-inflamatórios.

Concentrações: Até 10%.

Vitamina C

A vitamina C apresenta características multifuncionais. No tratamento de hiperpigmentação, o ativo atua como antioxidante e inibidor da tirosinase, podendo ser usado de dia, antes do uso do filtro solar, e à noite.

É importante atentar à pouca estabilidade do ácido, que pode ser facilmente oxidado e mudar de cor, alterando as suas características e perdendo, assim, a eficácia.

Concentrações: 10% a 20%.

Kójico no melasma

A ação clareadora do ativo ocorre por meio da inibição da tirosinase, bloqueando a melanogênese. De acordo com a literatura científica, o ativo também é antioxidante, uma vez que é capaz de reverter as ações de oxidação da tirosina.

Concentrações: Em home care, de 1% a 5%. Em cabine, até 20%. Como não possui capacidade queratolítica, costuma-se utilizá-lo em associação com um ativo queratolítico.

A cosmetologia é a principal via de manejo do melasma. Para garantir resultados seguros e efetivos, deve-se ter domínio das concentrações de cada ativo e dos seus efeitos fisiológicos, considerando sempre a individualidade de cada paciente.

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