As olheiras estão entre as queixas mais comuns na prática estética, mas também estão entre as mais desafiadoras quando falamos em tratamento. Isso acontece porque não existe um único tipo de olheira; consequentemente, não existe um único procedimento eficaz para todos os casos. Entender essa individualidade é o primeiro passo para alcançar bons resultados.

Identifique o tipo de olheira

Depressão do sulco lacrimal

A fisiopatologia dessa hiperpigmentação está relacionada a alterações no relevo da região periorbital. Nessa área, a presença do sulco lacrimal (uma depressão localizada medialmente à borda orbital inferior) favorece a formação de sombras, que se tornam mais evidentes conforme a incidência de luz no ambiente.

De forma geral, essa depressão pode estar associada tanto às características anatômicas individuais quanto à perda de volume de gordura subcutânea ao longo do envelhecimento.

Edema periorbital

O edema periorbital manifesta-se por um aspecto edemaciado e amolecido da pálpebra, decorrente do acúmulo de líquido na região. Clinicamente, pode apresentar coloração arroxeada e tende a ser mais evidente no período da manhã ou após a ingestão de alimentos ricos em sódio.

Na prática estética, não há uma abordagem terapêutica específica e definitiva capaz de tratar esse tipo de olheira.

Olheiras por envelhecimento da pele

O envelhecimento fisiológico também impacta diretamente a região periorbital, promovendo redução do tecido gorduroso subcutâneo e afinamento cutâneo. Como consequência, há maior evidência do sulco lacrimal, com intensificação do sombreamento conforme a incidência de luz no ambiente.

A região periorbital apresenta maior suscetibilidade a alterações pigmentares, o que eleva o risco de desenvolvimento de hiperpigmentação pós-inflamatória.

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Alteração vascular

Outro tipo de olheira observado na prática clínica está relacionado à alteração vascular. Nesses casos, o escurecimento decorre da maior visibilidade do plexo vascular presente nos músculos subjacentes, especialmente em indivíduos com pouca ou nenhuma camada de gordura subcutânea na região.

Fatores nutricionais também podem influenciar esse quadro. Evidências sugerem que a deficiência de vitamina K pode estar associada à hiperpigmentação periorbital de origem vascular, considerando seu papel essencial nos processos de coagulação sanguínea.

Olheiras por aumento da deposição de melanina

Esse tipo de olheira pode se apresentar de duas formas principais: hiperpigmentação pós-inflamatória ou aumento do depósito de melanina.

A hiperpigmentação pós-inflamatória está, em geral, associada à fricção frequente ou ao hábito de coçar os olhos, apresentando características clínicas semelhantes às demais discromias decorrentes de processos inflamatórios. Já a olheira por aumento de melanina pode estar relacionada à exposição solar excessiva, que estimula a melanogênese, contribui para o afinamento do tegumento e favorece a maior visibilidade vascular. De modo geral, essa condição é mais prevalente em indivíduos com fototipos mais elevados.

Trate as olheiras de acordo com a sua fisiopatologia

A olheira por depressão do sulco lacrimal está principalmente associada à reabsorção óssea do rebordo infraorbital, o que leva ao aumento da cavidade orbitária. Esse processo costuma vir acompanhado da atrofia da gordura profunda e da maior evidência do sulco nasojugal, caracterizando uma alteração que não é localizada, mas sim resultado de uma desorganização estrutural mais ampla da região periocular. 

Nesses casos, a conduta geralmente envolve a intradermoterapia e o preenchimento estrutural profundo, realizado em plano supraperiostal ou submuscular, com produtos que proporcionem sustentação de forma controlada.

Por outro lado, a olheira vascular apresenta uma fisiopatologia distinta. Está relacionada à congestão venosa, à presença de uma pele mais fina e translúcida e, em alguns casos, à hiperpigmentação decorrente do extravasamento sanguíneo. No tratamento, indica-se modulação da microcirculação com uso de cafeína. 

Já a olheira pigmentar decorre do aumento do depósito de melanina, influenciado por fatores genéticos, processos inflamatórios e exposição solar. A inflamação pode intensificar a produção de melanina e agravar a discromia. Então, o manejo deve priorizar abordagens dermatológicas com foco em despigmentação, como peelings químicos, lasers ou outras tecnologias específicas.

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