Tradicionalmente, minhas postagens argumentam a favor do uso de evidências científicas na prática clinica dos profissionais que trabalham com a Estética. No entanto, este texto vai além da discussão do embasamento científico, pois aborda uma das afecções estéticas corporais mais tratadas em clínicas e, talvez, com menor taxa de sucesso em termos de resolução.

CELULITE: Assista o vídeo completo

A famigerada celulite é uma das patologias  mais comuns entre as mulheres de todo o mundo. Se você que está lendo este artigo é mulher e tem mais de 20 anos, a possibilidade de você ter celulite é de 90%! Isso assusta um pouco, mas partindo do ponto de vista de que somos da área da Estética, isto se torna um mercado GIGANTESCO, se soubermos como trazer o máximo de resultados para os nossos pacientes.

Estatísticas da Celulite no Brasil e no Mundo!

Aqui você vai aprender quatro pontos fundamentais para ter sucesso nos tratamentos de celulite dos seus pacientes:

  1. O que de fato é uma celulite e como ela se desenvolve
  2. Quais são os fatores determinantes do desenvolvimento de celulites
  3. Qual a regra de ouro dos tratamentos de resultado
  4. Quais os principiais recursos de tratamentos CIENTIFICAMENTE COMPROVADOS

 1. O que é e como se desenvolve uma celulite

Pele Saudavel vs. Pele com Celulite

Celulite é uma afecção cutânea com inúmeros sinônimos, como:

  • Lipodistrofia ginoide
  • Lipoesclerose nodular
  • Paniculopatia edemato-fibroesclerotica
  • Paniculose
  • Dermoipodermose
  • Dermatopaniculopatia edematosa fibrosa e esclerosa

É considerada uma patologia multifatorial que promove uma alteração do relevo da pele, e adquire uma aparência de “casca laranja” ou “colchão”. O fenômeno é mais comumente visto nos quadris, nádegas e coxas, mas também pode tocar em outras áreas, incluindo o abdômen.

2. Principais causas da celulite

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  1. Fatores genéticos
    • Algumas pessoas têm maior propensão ao acúmulo de adipócitos, com uma gordura de distribuição periférica e ainda uma arquitetura da face derme-hipoderme que facilitariam o aparecimento de aspecto de casca de laranja.
  2. Desequilíbrio hormonal
    • É altamente provável que os hormônios femininos desempenhem papel fundamental no desenvolvimento da celulite, pois interferem no metabolismo das gorduras, na circulação linfática e venosa e ainda facilitam a retenção de água.
  3. Medicamentos
    • Medicamentos que causem a retenção hídrica e também estimulem o aumento do apetite como alguns antidepressivos chamados “triciclos” (a exemplo da imipramina, amitriptilina, cloroimipramina e desimiramina), também podem estar relacionados a uma maior probabilidade de desenvolver celulite.
  4. Maus hábitos de vida diária
    Alguns hábitos de vida também podem estar diretamente relacionados ao desenvolvimento de celulite cutânea, como:

    • Sedentarismo
    • Períodos prolongados de imobilidade
    • Roupas apertadas
    • Tabagismo
    • Consumo excessivo de álcool
    • Hábitos alimentares pouco saudáveis
    • Estresse

Todos podem de alguma forma atuar sobre o acúmulo de gordura e líquidos no tecido adiposo e conjuntivo, estimulando o desenvolvimento de celulite.

O que acontece com o tecido na área da celulite?

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A fisiopatologia exata da celulite ainda é uma questão de debate, mas a maioria dos pesquisadores concordam sobre o envolvimento da microcirculação reduzida, intersticial infiltração de líquidos (edema), hipertrofia localizada de adipócitos, estresse oxidativo e inflamação persistente de baixa qualidade, combinados com alterações da matriz extracelular.

Tecido com Celulite

Por mais que boa parte da literatura nacional diga que não,

 SIM, há processo inflamatório na celulite

A avaliação certeira antes de elencar o tratamento é fundamental para o sucesso nos resultados. A avaliação errada pode levar à escolha do tratamento equivocado e, consequentemente, pode PIORAR o aspecto da celulite.

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90% Mulheres vs 2% Homens – Por quê?

Celulite Homens e Mulheres

Até 90% das mulheres com mais de 20 anos de idade são afetadas em vários graus. Em comparação, apenas 2% de celulite se apresentam em homens.

Segundo a literatura, as mulheres apresentam o tecido conjuntivo disposto radialmente ou perpendicular à superfície da pele, formando compartimentos retangulares. Já nos homens, estes septos adotam uma oblíqua, criando compartimentos menores e poligonais.

Esta diferença significa que, quando os adipócitos femininos são submetidos a alterações de pressão, as papilas adiposas e as câmaras de gordura das células têm de adaptar sua forma sem alterar seu volume. Este processo promove a extrusão das papilas na interface derme-hipoderme, modificando assim a aparência da superfície da pele, no denominado “fenômeno colchão”.

REGRA DE OURO: Avaliação correta = tratamento com resultados!

A avaliação no tratamento de Celulite é um fator importantissímo!

Avaliar antes de elencar o tratamento é fundamental! A avaliação errada pode levar à escolha do tratamento equivocado e, consequentemente, piorar o aspecto da celulite.

Sugiro duas técnicas de avaliação:

1.Palpação na celulite

Durante a palpação é possível identificar fibrose e aderência tecidual, indicando a consistência da formação de macrónodulos teciduais.

2. Termografia infravermelha

Termografia para diagnóstico de Celulite

A termografia é um método não invasivo que pode ser utilizado para registrar gradientes e padrões térmicos corporais, sendo utilizada para medir a radiação térmica (calor) emitida pelo corpo ou partes deste, podendo ser utilizada para avaliar possível inflamação na celulite.

Os 11 principais recursos de tratamento CIENTIFICAMENTE COMPROVADOS para tratamento de celulite

EXERCÍCIOS FÍSICOS

exercicios fisicos para tratamento de celulite

A atividade física promove a lipólise, ou seja, quebra das moléculas de triacilgliceróis (gordura) encontradas no tecido adiposo, e libera ácidos graxos e glicerol na circulação. A atividade física promove, ainda, aumento da circulação local e a contração muscular ativa o sistema linfático, auxiliando no tratamento e prevenção da celulite.

DRENAGEM LINFÁTICA MANUAL

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A drenagem linfática produz melhora da oxigenação e circulação nos tecidos, atuando positivamente também sobre a inflamação, aumentando a capacidade de absorção de hematomas e equimoses e melhorando o retorno da sensibilidade.

ULTRASSOM

Dependendo dos parâmetros utilizados, sabe-se que o recurso tem a capacidade de aumentar a permeabilidade das membranas, melhorar a reabsorção de líquidos, aperfeiçoar a irrigação sanguínea e linfática, aumentar a produção e melhorar a orientação das fibras colágenas do tecido conjuntivo.

RADIOFREQUÊNCIA

Radiofrequência para Tratamento de Celulite

A radiofrequência em temperaturas mais baixas tem a capacidade de ativar o metabolismo celular, o sistema circulatório da região, aumentar a demanda de oxigênio e nutrientes, e, ainda, pelo calor, facilitar o realinhamento das fibras de colágeno.

ENDERMOLOGIA

Endermologia para Tratamento de Celulite

A técnica tem a capacidade de mobilizar de forma mecânica o sistema tegumentar, realinhando as fibras elásticas e, ainda, promover a troca de líquidos estagnados, favorecendo o metabolismo local.

METILXANTINAS (CAFEÍNA, TEOFILINA, AMINOFILINA, ETC.)

Metilxantinas para tratamento de celulite

Estes ativos causam a lipólise dos adipócitos através da inibição da fosfodiesterase e aumento da adenosina monofosfato cíclica (AMPc).

L-CARNITINA

L-Carnitina para tratamento de celulite

A L-carnitina atua aumentando a transferência dos ácidos graxos para o interior das mitocôndrias. Assim, eles podem ser oxidados pela adenosina trifosfato.

GINKGO BILOBA

Ginkgo Biloba para tratamento de celulite

Promove um incremento da resistência dos capilares, diminui a permeabilidade vascular, aumenta a tonicidade dos vasos e diminui a agregação plaquetária. Também tem ação antirradical livre, ativa o metabolismo celular e inibe a fosfodiesterase.

NICOTINATO DE METILA

Nicotinato de Metila para tratamento de celulite

Causa hiperemia (vermelhidão) no local aplicado devido ao seu efeito vasodilatador. É indicado para o tratamento da celulite. Estimula a drenagem de líquidos e toxinas. Promove o descongestionamento dos tecidos, diminuindo a quantidade de líquido retido.

CENTELHA ASIÁTICA

Centelha Asiática para tratamento de celulite

A centelha asiática é de origem vegetal, sendo composta de asiaticosídeo (40%), ácido madecássico (30%) e ácido asiático (30%). Ela normaliza o tecido conjuntivo e seus derivados, acelera a integração e o metabolismo de lisina e prolina, fundamentais na estrutura do colágeno e também tem flavonoides, cujo efeito na microcirculação reduz edemas.

SILÍCIO

Silício para tratamento de celulite

Atuando no interstício, tem ação antirradicais livres, anti-inflamatórias, favorece a drenagem dos tecidos e ativa a adenilciclase (ação na lipólise).

 Conclusão sobre tratamento de celulite

A celulite é uma afecção multifatorial de alta incidência em mulheres no Brasil e no mundo, sendo que inúmeros fatores estão relacionados com as suas causas. Dentre eles, destacam-se a dieta alimentar inadequada, sedentarismo e característica genética. Nos últimos tempos, pesquisadores vêm se dedicando a entender a patologia, desenvolver técnicas de avaliação e de tratamento eficazes.

Para o profissional ter sucesso no tratamento, tem que entender que a celulite pode ou não ter um caráter inflamatório. Diante disso, aplicar a técnica de avaliação eficiente se torna fundamental, somente a partir do momento que classificar a celulite da paciente em inflamatória ou fibroesclerótica pode traçar um plano de tratamento adequado.

Para finalizar, gostaria de saber a sua opinião e algumas de suas experiências em tratamento de celulite.

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Um grande abraço e até o próximo artigo!

Referências

1 – Nurnberger F. Practically important diseases of the subcutaneous fatty tissue (including so-called cellulite). Med Welt 1981.
2 – Pierard GE, Nizet JL, Pierard-Franchimont C. Cellulite: from standing fat herniation to hypodermal stretch marks. Am J Dermatopathol 2000.
3 – Mirrashed F, Sharp JC, Krause J, Morgan J, Tomanek B. Pilot study of dermal and subcutaneous fat structures by MRI in individuals who differ in gender, BMI, and cellulite grading. Skin Res Technol 2004.
4 – Quaglino D Jr, Bergamini G, Boraldi F, Pasquali Ronchetti I. ltrastructural and morphometrical evaluations on normal human dermal connective tissue – the influence of age, sex and body region. Br J Dermatol 1996.
5 – Ortonne JP, Zartarian M, Verschoore M et al. Cellulite and skin ageing: is there any interaction? J Eur Acad Dermatol Venereol 2008.
6 – Dobke MK, Dibernardo B, Thompson RC, Usal H. Assessment of biomechanical skin properties: is cellulitic skin different? Aesthet Surg J 2002.
7 – Pires de Campos MSM. Fibro edema gelóide subcutâneo. Revista de Ciência & Tecnologia 1992. 8 – Almeida MC, Serrano CS, Rolda JR, Rejano JJJ. Cellulite’s aetiology: a review. JEADV 2013.

 

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