Acredito que uma postura crítica é um estímulo fundamental para o avanço do conhecimento. Neste contexto, este artigo é baseado em uma crítica que recebi recentemente em uma aula de pós-graduação e serve para a reflexão de nossas condutas dentro da prática clínica.

Particularmente, gosto de ser criticado, pois é um processo que me retira da zona de conforto e leva a pensar sobre a referida problemática e outros pontos de vista. Aproveito para parafrasear Santo Agostinho:

“Prefiro os que me criticam, porque me corrigem.”

A crítica surgiu na leitura das fichas de avaliação que sempre realizo no final de qualquer aula. A frase era a seguinte:

“O professor desenvolve sua aula fora do contexto real, como, por exemplo, sugere a avaliação do perfil lipídico dos pacientes…”

Antes, vamos esclarecer o que é Perfil Lipídico

Lipídios são substâncias de origem orgânica, caracterizadas pela insolubilidade em água, solubilidade em benzeno, éter e clorofórmio. No plasma, os lipídios em maior quantidade são o colesterol, triglicerídeos e fosfolipídeos. Em menores quantidades, ainda existem os ácidos graxos livres, glicolipídeos, hormônios e vitaminas de origem lipídica.

Imagine que na atualidade os recursos que empregamos na prática clínica para o tratamento de gordura localizada se utilizam de três mecanismos: LIPÓLISE, NECROSE OU APOPTOSE dos adipócitos. Alguns estudos mostram que esses mecanismos PODEM alterar o perfil lipídico dos pacientes, conforme exemplo do artigo citado abaixo:

perfil lipidico

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Analisando a alteração dos resultados

Como pode ser visualizado, o ultrassom, dentro destas condições experimentais, tem a capacidade de aumentar o colesterol e triglicerídeos, entre outros marcadores (associados à dislipidemia) em modelos animais.

Foi publicado no The Lancet em 2014 que 30% da população mundial está acima do peso, sendo que o Brasil ocupa o quinto lugar neste ranking, e já é conhecida a associação positiva entre aumento de peso e dislipidemia. Um estudo recente mostrou ainda que, na cidade de São Paulo, quase 60% da população apresenta algum tipo de dislipidemia (!).

Dislipidemia essa que, por sua vez, tem associação positiva com aterosclerose coronariana, ou seja, níveis elevados do colesterol total e LDL. A redução nos níveis do colesterol HDL e aumento dos níveis de triglicérides podem induzir à doença coronariana.

Posso concluir, com base neste raciocínio fisiológico, que dependendo do recurso que venha a ser utilizado no tratamento de gordura corporal, é fundamental avaliar o paciente em termos de composição corporal e, ainda,  solicitar a dosagem do perfil lipídico, principalmente se o paciente tiver histórico positivo.

obrigado

 

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