No dia seguinte após publicar o texto “Criolipólise versus Ultrassom (Cavitacional)”, em meio à correria e confusão de um dia assoberbado de compromisso, fui interpelado por uma aluna no corredor da Universidade:

– Aluna: Professor, porque colocou no texto “ultrassom (cavitação)”? Não é obvio que o ultrassom gera cavitação?
– Eu: É que o estudo se referia ao aparelho também denominado ultracavitação ou ultrassom cavitacional, e não ao ultrassom convencional…
Segui a explicação e ela me interrompeu novamente!
– Aluna: Simplesmente desisto, quanto mais eu leio mais confusa fico e mais dúvidas surgem!

Pois bem, como estava um pouco atrasado, não pude complementar com as devidas explicações. Quem me conhece sabe que acredito na premissa de que compartilhar o pouco do que se sabe e exercer uma influência construtiva sobre a vida das pessoas é o principal caminho para o nosso desenvolvimento, seja ele intelectual ou social.
Quanto ao fato da confusão e das dúvidas que se fizeram presentes durante a minha explicação, penso ser um processo normal e, acima de tudo, saudável. Estamos em formação ao longo de nossa existência. Aprender, portanto, é uma exigência que nos acompanha do início ao fim de nossas vidas. Quanto mais conhecimentos adquirimos, mais aumentamos a nossa área de contato com o desconhecido e, assim, cada vez mais ampliam-se as nossas necessidades de aprendizagem. Aprender é crescer. E nenhum tempo é inadequado para isso.

A busca incessante de condutas terapêuticas que visam o tratamento da lipodistrofia localizada (gordura localizada) tem direcionado a comunidade científica para novas pesquisas, e estimulado o segmento publicitário desta área. Em relação aos informers, não cabe à minha pessoa julgar o que é certo ou errado, mas sim frisar que estas inúmeras nomenclaturas atribuídas a recursos novos ou consolidados no mercado trazem um grande desconforto à comunidade acadêmica e profissional, repercutindo nos pacientes.

Um dos aparelhos que está no centro deste tipo de publicidade é um tipo específico de ultrassom (também chamado de lipo sem corte, ultracavitação ou ultrassom cavitacional). A princípio, o termo ultracavitação nos remete à ideia de um aparelho altamente potente, e que nos leva de forma inconsciente ao seguinte raciocínio:

“Quanto maior a potência do equipamento, melhor!”

Conceito de Ultracavitação

Neste caso, essa linha de raciocínio não se aplica. A ultracavitação nada mais é que um aparelho de ultrassom com uma frequência seletiva, que tem a finalidade de gerar um fenômeno cavitacional apenas no adipócito, buscando não lesionar os tecidos adjacentes.

Mas, como esse processo é possível?

O referido ultrassom (cavitacional) pode ser simplesmente explicado pelo fenômeno de ressonância, exemplificado no vídeo abaixo:

Estudos mostram que as membranas dos adipócitos vibram com frequências próximas de 28 até 80 KHz. Sendo assim, engenheiros desenvolveram aparelhos de ultrassom que vibram próximo destas frequências. Essas ondas ultrassônicas produzem a formação de microbolhas que, em teoria, ficam mais próximas da membrana dos adipócitos e promovem sua ruptura.

Pesquisadores corroboram e elucidam ainda que as ondas sonoras criam ciclos de compressão, exercendo pressão positiva e ciclos de expansão que exercem pressão negativa, gerando uma inumerável quantidade de bolhas que os diferenciam do ultrassom convencional. Estas bolhas acumulam energia e crescem a um tamanho que se tornam instáveis e implodem nas cavidades do líquido intersticial no tecido adiposo, podendo levar à redução de gordura e, consequentemente, da espessura total da camada adiposa.

Por fim, cabe ressaltar que atualmente existe evidência científica que ampare a utilização deste recurso no tratamento estético para gordura corporal. No entanto, uma avaliação minuciosa do paciente, no que diz respeito à sua espessura de tecido adiposo e perfil lipídico, são fundamentais para aplicar a técnica com segurança e não gerar efeitos colaterais.

 

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