Na semana passada, discutimos questões relacionadas à associação positiva de recursos que utilizamos na nossa prática clínica e a possibilidade de aumento dos marcadores do perfil lipídico em nossos pacientes.

Minhas próximas postagens serão direcionadas a recursos cientificamente comprovados que podem ser utilizados na prática clínica com a finalidade de minimizar o perfil lipídico e ainda ampliar a oxidação dos ácidos graxos.

Minha primeira dica é simples e refere-se a um nutricosmético que vem aqui do Sul:

O que é erva-mate? (Ilex paraguarienses)

 

A erva mate (Ilex paraguariensis), também chamada mate ou congonha, é uma árvore da família das aquifoliáceas nativa da América do Sul (sul do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai). Alcança cerca de 15 m de altura e 40 cm de diâmetro de tronco, possuindo folhas alternadas. Normalmente é ingerida na forma de chimarrão, tererê e mate cozido, sendo que atualmente também é comercializada em pó ou folhas rasuradas.

Uso tradicional da erva-mate

  • Chimarrão: elaborado por meio da infusão de folhas e ramos, comumente consumido no sul do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai
  • Tererê: preparado com água fria e consumido principalmente na região centro-oeste do Brasil e no Paraguai
  • Mate cozido: feito a partir de folhas secas e moídas da erva-mate em sachês, costuma ser consumido na Argentina e no Paraguai

3 tipos de mate

A Ilex paraguariensis ganhou ligeira inserção nos mercados mundiais de saúde recentemente, principalmente nos Estados Unidos e Europa, devido à suas ações cientificamente comprovadas, como por exemplo:

  1. Hipocolesterolêmica
  2. Vasodilatadora
  3. Antiinflamatória
  4. Antimutagênica
  5. Antioxidante

Estes efeitos têm sido atribuídos aos polifenóis presentes nesta planta, tais como os ácidos fenólicos (ácido clorogênico e derivados) e flavonóides, especialmente a rutina.

Atribui-se à grande quantidade de polifenóis da erva a sua capacidade antioxidante, anti-inflamatória, antiobesidade, hipocolesterolêmica, neuroativa, entre outras. Inclusive, já está comprovado, a partir de testes in vitro, que a erva-mate apresenta maior potencial antioxidante do que o descrito para o vinho tinto.

lipid

Pesquisas em ratos mostraram ainda que a administração de doses crescentes de extrato aquoso de erva-mate (0.5; 1.0 e 2.0 g/kg) tem a capacidade de diminuir e reparar os danos ao DNA. E que a ingestão de chá-mate instantâneo (5g em 500 mL, equivalente aos sólidos solúveis contidos no chimarrão), diariamente, durante uma semana, diminuiu os níveis de lipoperoxidação e aumentou a expressão das enzimas antioxidantes Sod e Cat em plasma.

Possibilidades de uso/aplicação

Nutricosméticos
Os ativos presentes na planta podem ajudar de forma incrível a controlar o apetite e aumentar o metabolismo lipídico (queima de gordura), além de serem aliados do coração por controlar o colesterol LDL e aumentar o HDL e a vasodilatadora.

Ingestão (chimarrão, tererê ou mate cozido)
Comumente ingerido no sul do Brasil, as bebidas derivadas da Ilex paraguariensis são meios de absorção rápida e eficaz dos ativos da planta, além de ajudar muito na hidratação.

Conclusão

Posso concluir que a Ilex paraguariensis tem atividade lipolítica e estimulante, o que é fundamental para o tratamento de gordura, e ainda, tem comprovada ação sobre o metabolismo de colesterol e na absorção intestinal de gordura, via inibição da atividade da lipase pancreática. Estudos mostram ainda que o extrato de erva-mate apresenta atividade antiobesidade, exercendo importante efeito modulatório na expressão de vários genes relacionados à obesidade em tecido adiposo in vivo.

Espero realmente que tenha ajudado ou mesmo te dado um insight para a sua prática clínica e que você possa aplicar isso nos seus pacientes e aumentar os seus resultados!

REFERÊNCIAS:

Arçari, D.P.; Bartchewsky, W. S.; Oliveira, K.A.; Peddrazzoli, J. S.; Saad, M. F.; Bastos, D. H.; Gambero, A.; Carvalho, P. O.; Ribeiro, M. L. (2009). Antiobesity effects of Yerba maté extract (Ilex paraguariensis) in high-fat diet-induced obese mice. Obesity. 12: 2127-2133. Aron, P.M.; Kennedy, J.A. (2008). Flavan-3-ols: Nature, occurrence and biological activity. Mol. Nutr. Food

Bracesco, N.; Sanchez, A.G.; Contreras, V.; Menini, T.; Gucliucci, A. (2011). Recent advances on Ilex paraguariensis research: Minireview. J. Ethnopharmacol. 136: 378- 384

Deladino, L.; Anbinder, P.S.; Navarro, A.S.; Martino, M.N. (2007). Encapsulation of natural antioxidants extracted from Ilex paraguariensis. Carbohydr. Polym

Filip, R.; Lopez, P.; Giberti, G.; Coussio, J.; Ferraro, G. (2001). Phenolic compounds in seven South American Ilex species. Fitoterapia

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