Peeling de diamante, peeling químico, peeling de cristal: quem trabalha com estética facial sabe que essas são algumas das técnicas mais pedidas pelos pacientes no inverno. 

Além de manchas, muitas pessoas buscam, com esse recurso, uma forma de retardar os efeitos do envelhecimento. Mas será que apenas o desejo do paciente e o fato da incidência solar ser menor nessa época do ano são o suficiente para escolhermos o peeling como melhor conduta terapêutica?

Saiba que a escolha errada, no longo prazo, pode transformar o seu tratamento em um verdadeiro “peeling do envelhecimento”. Por isso, eu vou falar sobre porque devemos ter cautela ao aplicarmos o peeling em pacientes que buscam o rejuvenescimento facial.

Como acontece o envelhecimento da pele?

O envelhecimento promove mudanças estruturais significativas no sistema tegumentar. Atrofia, surgimento de rugas e flacidez de pele são apenas alguns dos sinais clínicos mais evidentes, especialmente na região de face.

Mas, para entendermos esse fenômeno, o primeiro ponto a ser compreendido acerca do envelhecimento é que esse processo ocorre paralelamente, com maior ou menor intensidade em cada indivíduo, de duas formas: há o envelhecimento extrínseco e o intrínseco.

Envelhecimento intrínseco

O envelhecimento intrínseco é o resultado fisiológico da passagem do tempo, e se manifesta segundo características hereditárias de cada pessoa. Ou seja, é uma reação natural do organismo, que não pode ser evitada — embora, seus reflexos estéticos possam ser administrados.

Como principais efeitos cronológicos, podemos destacar diminuição na produção de colágeno e elastina. A literatura indica que os primeiros sinais surgem a partir dos 30 anos, e se acentuam a partir daí: ressecamento, diminuição na firmeza e perda de elasticidade da pele. 

Envelhecimento extrínseco

Corresponde a danos causados por fatores externos. Inclui condições ambientais, como poluição, e hábitos de vida, como sedentarismo e alimentação pobre em nutrientes. O grande fator causal é a exposição à radiação UV, que chega a ser responsável por 80% do envelhecimento facial.

Quando esses efeitos se sobrepõem aos cronológicos, o envelhecimento ocorre de forma precoce. A soma de danos moleculares resulta em alterações mais evidentes na pigmentação, elasticidade e barreira protetora do tegumento.

Teorias do envelhecimento

Por sua complexidade, o envelhecimento é objeto de incontáveis pesquisa no meio científico. Logo, existe uma série de teorias que tentam elucidar o envelhecimento humano. 

O raciocínio lógico que eu pretendo expor aqui exige que compreendamos duas delas.

Teoria dos telômeros

Telômeros são estruturas que comportam sequências de nucleotídeos que protegem as extremidades dos cromossomos, impedindo a união dos mesmos.

Essa teoria é baseada na finitude das células eucarióticas normais. Considerando que duplicação cromossômica produz um progressivo encurtamento dos telômeros, após determinado número de divisões, a célula perde sua funcionalidade.

Teoria do stress oxidativo

Essa teoria fala do desequilíbrio entre oxidantes e antioxidantes. A acumulação de lesões moleculares nos tecidos, causadas por radicais livres ao longo da vida, resulta em aumento das espécies reativas de oxigênio, constituindo fenótipos de envelhecimento. 

Possivelmente, a lesão oxidativa no DNA tem um efeito mais decisivo sobre a finitude das células do que o comprimento dos telômeros, como vista na teoria anterior.

E por que o peeling pode favorecer o envelhecimento?

Para entender porque a aplicação desenfreada de peelings em clínicas de Estética Brasil afora é preocupante, precisamos relembrar seus mecanismos de ação. O primeiro ponto é a estimulação da epiderme. 

Vá com calma no turnover celular!

Em condições normais, um queratinócito demora cerca de quatro semanais para se deslocar da camada basal até o estrato córneo. Porém, o peeling tende a acelerar a renovação celular, não apenas em queratinócitos, no nível epidérmico, mas também nos fibroblastos, na derme. 

Portanto, eis aqui a relação com a teoria dos telômeros: se a renovação celular for estimulada de forma indiscriminada, pode haver o risco de que os telômeros não sejam mais capazes de preservar o DNA e as células percam a capacidade de reprodução.

Pese os prós e contras da inflamação

Sabe-se que, de acordo com os parâmetros aplicados, o peeling tem a capacidade de provocar reações inflamatórias locais. Ocorre que diversos estudos já evidenciaram que processos inflamatórios estão diretamente relacionados ao estresse oxidativo, como esse publicado no PubMed:

3 perguntas que você deve fazer antes de aplicar o peeling 

Você pode estar confuso, se perguntando se, afinal, o peeling deve ou não ser empregado em um tratamento de rejuvenescimento facial. O segredo, como em qualquer outra conduta terapêutica, está em respeitar as necessidades de cada paciente; na avaliação.

Antes de propor um protocolo com peeling, responda a essas 3 perguntas:

  • O paciente realmente precisa de um peeling?
  • Qual a periodicidade com que esse paciente costuma fazer peeling? (Quando foi a última vez que ele fez e quando eu pretendo aplicar o próximo?)
  • Eu realmente domino a técnica? (Entendo como administrar o pH e associar ácidos, por exemplo?)

Conclusão

Enquanto profissional da Estética que associa prática clínica a evidências científicas, eu jamais poderia, de forma geral, contraindicar o peeling em um tratamento de rejuvenescimento. 

Contudo, esse artigo trouxe um contexto fisiológico que destaca a importância da avaliação, mesmo que nos últimos anos os seus inúmeros benefícios tenham popularizado o peeling como uma técnica apreciada pelo público em geral.

E, embora os efeitos cosméticos do peeling possam perdurar mesmo após o tegumento entrar em um estado de “acomodação”, cabe a nós, profissionais, nos cercarmos de conhecimento para orientar nossos pacientes e sugerir a alternativa mais segura. 

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