Você pode fazê-lo ou não, mas não pode negar que o peeling químico é, em disparado, o tratamento mais pedido do inverno em todas as clínicas estéticas do Brasil. Se você ainda não domina está técnica, lamento, mas você está deixando de faturar muito.

Neste artigo vamos ver:

  1. O que significa peeling;
  2. Desmistificando a ação do peeling na pele;
  3. Peeling químico e suas funções;
  4. Peeling físico e suas funções;
  5. Contraindicações;
  6. Dicas do pós-peeling;
  7. Conclusão (vídeo final);

O que significa peeling?

A palavra peeling vem do em inglês to peel, que significa descamar. Na área da estética, é compreendido como uma técnica que visa produzir, dentre tantos efeitos, a renovação celular da epiderme.

O peeling é uma técnica que pode ser indicada para tratar várias afecções. Cientificamente, sua eficácia está descrita para o tratamento de:

  • Rugas
  • Melanoses
  • Queratoses actínicas
  • Melasma
  • Hiperpigmentação
  • Acnes e suas sequelas
  • Cicatrizes atróficas
  • Estrias
  • Queratose pilar
  • Clareamento da pele

Desmistificando a ação do peeling na pele

2. dismistificando

De modo geral, o peeling atua no sistema tegumentar por meio de três mecanismos:

Primeiro: ocorre a estimulação do crescimento e da renovação epidérmica, mediante a remoção do estrato córneo ou das camadas adjacentes (dependendo dos parâmetros do peeling).

Segundo: induz no tecido uma reação inflamatória controlada, que estimula subsequentemente a proliferação de fibroblastos, a produção de colágeno novo e de substância fundamental na derme.

Terceiro: promove a dispersão dos grânulos do pigmento nos queratinócitos. Promove uma interferência na transferência dos melanossomos e a aceleração da renovação celular, aumentando a perda do pigmento. Além disso, há evidências de que ele possa inibir a produção da tirosinase e a melanogênese.

As duas categorias de peeling

Os principais peelings usados na atualidade podem ser enquadrados em duas categorias: químico e físico.

O peeling químico

Peeling Quimico

Também descrito na literatura como resurfacing químico, quimioesfoliação ou quimiocirurgia, caracteriza-se pela aplicação de um ou mais agentes cáusticos à pele, produzindo, dentre vários efeitos, uma destruição controlada da epiderme e sua reepitelialização.

É classificado em três tipos: superficial, médio e profundo.

Teoricamente, os três tipos de peeling têm a mesma finalidade. No entanto, o médio e o profundo são mais agressivos, respectivamente, e provocam uma lesão controlada mais pronunciada, podendo chegar nos resultados que o superficial oferece com maior rapidez, porém com maiores riscos ao paciente.

O peeling superficial tem ação principalmente na epiderme e utiliza-se como substâncias ativas os alfa-hidroxiácidos (AHAs), beta-hidroxiácidos (ácido salicílico), ácido tricloroacético (TCA), resorcinol, ácido azelaico, solução de Jessner, dióxido de carbono (CO2) sólido e tretinoína.

O peeling médio tem ação na derme papilar e utiliza como substâncias ativas combinações de TCA com CO2, TCA com solução de Jessner, TCA com ácido glicólico ou somente o TCA e resorcina.

O peeling profundo tem ação na derme reticular. São utilizados como componentes ativos o TCA a 50% e o fenol (solução de Baker-Gordon), entre outros.

Os 5 tipos de peeling químicos mais utilizados atualmente

É importante lembrar que, quanto maior a concentração de um ácido e menor o seu pH, mais rápida e profunda é a sua permeabilidade. Vários são os ácidos que podem ser aplicados nos procedimentos de peelings químicos, entretanto os mais utilizados são: glicólico, mandélico, retinóico, salicílico e kógico.

 Ácido salicílico

Acido Salicilico - Salgueiro Branco

O ácido salicílico é um beta-hidroxiácido ou ácido 2-hidroxibenzóico, extraído do Salix alba (salgueiro branco), e tem sido usado em uma concentração de no máximo 20%.

O acido salicílico, dependendo do pH e concentração, pode:

  • Induzir a esfoliação da camada córnea, provavelmente por dissolução das lamelas (cimento celular), e aumentar a proteólise doscorneodesmossomas. Sendo assim, tem ampla indicação para os casos de queratose actínica, seborreicas, comedões, e, ainda, alguns artigos sugerem atuação positiva no tratamento de clareamento da pele e atenuação das rugas.

Ácido retinoico

acido retinoico - vitamina A

Ácido retinoico, tretinoína ou vitamina A é um agente anti-acnéico e anti-psoríasico eficaz, que atua sobre receptores nucleares nas células-alvo, estimulando assim a mitose e a renovação das células.

O acido retinóico, dependendo do pH e concentração, pode:

  • Propiciar a formação de uma camada córnea menos aderente, que ao mesmo tempo facilita a eliminação dos comedões existentes e dificulta sua aparição;
  • Reduzir a melanogenese e a tirosinase (atuando nas hiperpigmentações);
  • Aumentar o fluxo sanguíneo, promovendo a formação de novas fibras de colágeno na derme.

Ácido glicólico

Acido Glicolico - Cana de Acucar

É um alfahidroxiácido oriundo da cana-de-açúcar e é extremamente hidrofílico. Uma solução de ácido glicólico a 3% em pH 3 é capaz de acidificar as primeiras cinco camadas de corneócitos. Já a 10% e pH 3, causa acidificação mais profunda e mais rápida da epiderme. Segundo a literatura, pode ser usado de 2 a 70%, dependendo do caso. Ao exemplo de 2%, são utilizadas em cremes faciais, e a 70%, em peeling na cabine.

O acido glicólico, dependendo do pH e concentração, pode:

  • Estimular a proliferação de fibroblastos e a produção de colágeno (tratar rugas e hipotonia tissular);
  • Reduzir a melanogenese (atuando nas hiperpigmentações);
  • Tratar a acne (manter os poros livres do excesso de queratinócitos).

Ácido mandélico

Acido mandelico - amendoas

É um alfahidroxiácido oriundo do extrato de amêndoas amargas de maior peso molecular. Portanto, tem permeação mais lenta no sistema tegumentar, e é indicado principalmente a peles sensíveis. Esse ácido pode ser usado em formulações a 5% em uso diário e a 20% para peelings na cabine.

O acido mandélico, dependendo do pH, concentração e combinação, pode:

  • Tratar rugas finas, linhas de expressão, melhorar a textura da pele (estimula a produção de colágeno e tem bons resultados em cremes rejuvenescedores com combinações de vitaminas A,C e E);
  • Clarear manchas (agindo na inibição da síntese de melanina, bem como na melanina já depositada);
  • Tratar a acne (além da descamação, tem ação bactericida com estudos comprovados sobre o Propionibacterium).

Ácido kójico

acido kojico - cogumelo tambem usado para fermentar saque

Obtido a partir de um cogumelo japonês chamado kójico, tem a característica de dificilmente causar irritação ou fotossensibilização no paciente. Além disso, o ácido kójico não oxida como muitos clareadores cutâneos e pode ser associado ao ácido glicólico. São utilizados em concentrações compreendidas entre 0,005 e 4% em cremes e loções não iônicas, géis, géis-creme e loções aquosas clareadoras.

O ácido kójico, dependendo do pH, concentração e combinação, pode:

  • Ser antisséptico (impede a proliferação de fungos e bactérias na pele);
  • Tratar o envelhecimento cutâneo (tem ação anti-oxidante, pode ser usado em formulações junto com ácido glicólico, vitamina C, entre outros ativos);
  • Influenciar na hiperpigmentação (age inibindo a formação da melanina, que quela os íons, cobre e bloqueia a ação da tirosinase).

O peeling físico

4. peeling fisico

São agentes indutores de escamação que podem ser, desde lixas, cremes abrasivos com micro esferas de material plástico, a aparelhos de micro dermoabrasão por fluxo de cristais ou lixas de ponta de diamante. A microdermoabrasão é a técnica mais utilizada na pratica clínica, e se tornou uma das mais populares formas de desgaste superficial da pele. Esta técnica foi descrita em 1985 pela primeira vez na Itália. O procedimento de microdermoabrasão consiste na aplicação direta sobre a pele de um equipamento mecânico gerador de pressão negativa e positiva simultânea e quimicamente inertes. O terapeuta pode alterar a pressão e velocidade de aplicação. Dessa forma, assim como o peeling químico, apresenta três níveis de abrasão: superficial, médio e profundo.

O peeling superficial atinge apenas a epiderme, ocasionando um eritema.

O peeling intermediário atinge a epiderme e parte da derme, ocasionando uma hiperemia e edema.

O peeling profundo atinge todas as camadas da derme, ocasionando um sangramento associado a outros sinais inflamatórios controlados.

Microdermoabrasão com cristais (peeling de cristal)


É uma técnica de esfoliamento não cirúrgico que consiste na projeção sobre a pele de microcristais de hidróxido de alumínio quimicamente inertes. Utiliza-se equipamento que permite a regulação dos níveis de esfoliamento sob pressão assistida.

Microdermoabrasão diamond tip (peeling de diamante)

peeling diamante

Método de “lixamento” da pele que utiliza ponteiras diamantadas conectadas à sucção, que elimina a camada superficial da pele.

Contraindicações ao peeling

Absolutas são aquelas situações onde a pele encontra-se com algum tipo de ferimento (cicatrizes recentes, período pós-operatório imediato de peelings profundos, lesões ativas de herpes zoster, etc).

As contraindicações relativas são as condições clínicas da pele altamente sensível, peles com presença de eritemas (provocados por uso de medicações, sol entre outros).

Dicas pós-peeling

Evitar a exposição solar, usar compressas frias, se necessário, que podem ser associadas à camomila, e  obrigatoriamente, usar hidratantes faciais e/ou filtro solar hipoalergênico.

Conclusão

 

REFERÊNCIAS

BRODY, H.J. Currenta dvance sand trendsin chemical peeling. Dermatol Surg. 1995
DEPREZ, P.; Peeling Quimico- Superficial, médio e profundo; Rio de Janeiro, Ed. Revinter Ltda , 2009.
GILCHREST, B. A.; KRUTMANN. J. Envelhecimento cutâneo. Rio de Janeiro Koogan, 2007.
MOY LS, PEACE S, MOY RL. Comparison of the effect of various chemical peeling agents in a mini-pig model. Dermatol. Surg. 1996
MOY, L.S, Peace S, Moy R.L. Comparison of the effect of various chemical peeling agents in a mini-pig model. Dermatol. Surg
NARDIN, P.; GUTERRES, S.S. Alfa-hidroxiácidos: aplicações cosméticas e dermatológicas. Cad. Farm, 1999
SADICK, N.S. A Structural Approach to Nonablative Rejuvenation. Cosmetic Dermatology, 2002.
STUZIN JM. Phenol peeling and the history of phenol peeling. Clin. Plast. Surg. 1998;

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here