A Era dos Protocolos Prontos

Estamos vivendo, principalmente no Brasil, um momento dentro da Dermato Estética no qual eu denominaria de “A Era dos Protocolos Prontos”, que são protocolos para o tratamento das mais variadas afecções estéticas. São condutas padronizadas para o tratamento de acne, estrias, celulite, alterações cicatriciais, pós-operatório de cirurgia plástica, entre outras.

Problema ou solução?

Pergunto-me se isso é bom ou ruim, e definitivamente responder SIM ou NÃO a essa pergunta seria no mínimo leviano de minha parte. Um assunto de tamanha complexidade e que afeta totalmente nossa vida profissional deve fugir desta forma simplista de pensar. Vale ressaltar que a simplificação é uma forma primária do pensamento que reduz os fenômenos humanos a uma relação de causa e efeito, certo e errado, isso ou aquilo, é ou não é. Acredito que neste e em outros casos falar sim ou não é uma forma deficiente de pensar, e nasce principalmente do desconhecimento em relação à verdade do outro.

Dentro desta complexidade, destaco dois pontos que devem ser levados em consideração: se por um lado os protocolos prontos trazem aos profissionais a comodidade de um caminho sólido de condutas e objetivos terapêuticos a seguir, solucionando o problema da insegurança clínica e, muitas vezes, da falta de coerência nos recursos de tratamentos elencados para cada caso, por outro tira dos pacientes algo fundamental para o sucesso de qualquer tratamento, que é o respeito de sua individualidade e o consequente atendimento humanizado.

Humanização dos pacientes

Tratar de forma humanizada é respeitar o outro, ser atencioso, considerar a individualidade e subjetividade de cada um, e tratá-lo com deferência. Dentro da dermato estética, esse processo se inicia com uma avaliação minuciosa, e se consolida quando o terapeuta elenca condutas de tratamento de acordo com a especificidade de cada paciente, levando em consideração aspectos biológicos, culturais e, principalmente, socioeconômicos.

Precisa de exemplo?

Não quero ser pretensioso de forma demasiada ao tentar indicar o caminho do sucesso profissional, tampouco julgar o que é certo ou errado na prática clínica. No entanto, me parece que respeitar a individualidade de cada paciente e fazer uso do pensamento cientifico são qualidades que evidenciei em todos os profissionais da área da saúde de sucesso duradouro que conheci ao longo de minha jornada profissional. Gostaria que refletissem sobre os grandes nomes da nossa área… Todos são lembrados pela cientificidade e por seus consequentes resultados clínicos como, por exemplo, Ivo Pitangui.

Imaginem só: quando indicamos um tratamento adequado para aquele paciente, respeitando sua individualidade, o desfecho promovido pela nossa conduta pode vir a ser indesejado. É importante lembrar que o mundo é muito mais aleatório do que nossas explicações de causa-efeito. Levo à reflexão: e se não indicarmos as condutas corretas para tal afecção, respeitando a individualidade de cada ser humano, qual poderá ser o desfecho do tratamento?

Conclusão

Neste sentido, entendo e respeito a opinião de colegas-referência na nossa área quando referem que os protocolos prontos são rápidos e de fácil entendimento. Em contrapartida, penso que, quando não temos objetivos terapêuticos pautados na individualidade de cada paciente, estamos deixando de lado questões que podem ser inerentes ao sucesso do tratamento. Diante de tudo isso, só tenho uma certeza. Devemos procurar “a razão científica” em todas as nossas condutas terapêuticas, pois só assim aumentam as chances de termos o melhor desfecho.

obrigado

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here