A evolução da Estética está diretamente relacionada ao avanço das tecnologias nas clínicas. Assim, a eletroterapia se destaca como uma das principais aliadas do profissional, permitindo abordagens mais precisas, seguras e eficientes. Porém, diante de tantas opções disponíveis, quais são os recursos que realmente merecem espaço na rotina estética? Neste artigo, você conhecerá seis tecnologias de eletroterapia importantes para quem busca resultados consistentes e embasados cientificamente. 

Ultrassom na eletroterapia

O ultrassom é um recurso amplamente empregado na área da saúde para o tratamento de diferentes disfunções. Dentre elas, cita-se desde a reabilitação musculoesquelética até a permeação transdérmica de ativos por meio da fonoforese. Na Estética, sua aplicação é especialmente relevante devido aos resultados observados no manejo de alterações corporais.

Para compreender seus mecanismos de ação, é fundamental considerar os parâmetros físicos envolvidos, principalmente a intensidade e a frequência. De acordo com a intensidade utilizada, o ultrassom pode ser classificado em baixa ou alta intensidade. Equipamentos que operam entre 0,125 e 3 W/cm² são utilizados para favorecer a permeação de substâncias através da pele e estimular processos fisiológicos relacionados ao reparo tecidual. Em contrapartida, tecnologias que empregam intensidades iguais ou superiores a 5 W/cm² têm como objetivo promover a destruição seletiva e controlada de determinados tecidos.

Outro parâmetro essencial é a frequência, definida como o número de ciclos completados em um segundo e expressa em hertz (Hz). Na prática clínica, frequências entre 1 e 3 MHz são frequentemente utilizadas para atingir estruturas localizadas no sistema tegumentar e na tela subcutânea. Já frequências próximas a 5 MHz apresentam ação predominantemente sobre a epiderme e a derme, sendo, portanto, mais indicadas para tratamentos que demandam atuação superficial.

Radiofrequência na eletroterapia

A radiofrequência atua por meio da emissão de correntes eletromagnéticas capazes de promover o aquecimento controlado dos tecidos biológicos. Esse aumento térmico ocorre devido à resistência oferecida pelos tecidos à passagem da corrente elétrica, resultando, portanto, na conversão de energia eletromagnética em calor.

Quando aplicada de forma seletiva e controlada ao tecido conjuntivo, a elevação da temperatura desencadeia alterações fisiológicas importantes. Entre elas, destacam-se a desnaturação parcial das fibras de colágeno, seguida de sua contração imediata, a ativação dos fibroblastos e o estímulo à neocolagênese. Em tecidos adiposos, temperaturas mais elevadas podem promover danos térmicos aos adipócitos, favorecendo processos inflamatórios locais e contribuindo para a lipólise secundária em áreas adjacentes.

Os efeitos biológicos da radiofrequência podem ser classificados, em suma, em térmicos e atérmicos. Os efeitos térmicos decorrem do aumento da temperatura tecidual e da ativação de proteínas de choque térmico, estando associados à contração das fibras de colágeno e ao estímulo da síntese de novas fibras. Por outro lado, os efeitos atérmicos são atribuídos à interação dos campos eletromagnéticos com estruturas celulares, como receptores e canais de membrana, desencadeando respostas biológicas independentes do aquecimento significativo dos tecidos.

Na radiofrequência, é fundamental estar atento aos parâmetros de frequência, potência e configuração dos polos do equipamento.

Frequência

Como já vimos, a frequência corresponde ao número de vezes que a corrente elétrica alterna sua direção em um segundo, sendo expressa em hertz (Hz). Nos equipamentos utilizados em Estética, essa frequência geralmente varia entre 0,5 e 40 MHz. É importante atentar que quanto menor a frequência empregada, maior tende a ser sua capacidade de atingir tecidos mais profundos; por outro lado, frequências mais elevadas promovem uma ação mais superficial.

Potência

A potência é um dos principais parâmetros da radiofrequência e influencia diretamente os efeitos produzidos nos tecidos. O pico de potência está relacionado à estimativa do efeito térmico gerado, enquanto a potência média determina a velocidade com que o aquecimento ocorre. Nos equipamentos que operam em modo contínuo, os valores de potência de pico e potência média são equivalentes. 

Polos dos equipamentos

Atualmente, os dispositivos de radiofrequência utilizados na Estética podem empregar sistemas monopolares ou multipolares (bipolares, tripolares ou com múltiplos polos). Nos sistemas monopolares, a corrente elétrica flui entre um eletrodo ativo e uma placa de retorno posicionada no corpo do paciente, permitindo maior profundidade de penetração da energia. Nos sistemas multipolares, os polos positivo e negativo estão presentes no mesmo cabeçote, dispensando, assim, o uso de aterramento. Nesses equipamentos, a corrente circula entre os eletrodos do aplicador, e a profundidade de ação é proporcional à distância entre os polos, atingindo aproximadamente metade desse espaço. 

Jato de plasma na eletroterapia

O jato de plasma é um recurso que utiliza corrente contínua ou pulsada de alta intensidade para gerar plasma, um gás parcialmente ionizado conhecido como o quarto estado da matéria. Independentemente da tecnologia empregada (direta, indireta ou híbrida), seu princípio de funcionamento baseia-se na formação desse plasma e na interação da energia com os tecidos biológicos.

Do ponto de vista fisiológico, o recurso promove uma lesão tegumentar controlada capaz de desencadear o processo de reparo tecidual. Essa resposta envolve o aumento da proliferação de fibroblastos, a síntese de colágeno e elastina e a remodelação da matriz extracelular, favorecendo a regeneração dos tecidos e contribuindo para a melhora de diferentes alterações estéticas.

A ação do jato de plasma ocorre principalmente por meio da desidratação superficial da epiderme, resultando na formação de uma crosta temporária. Esse processo é frequentemente descrito na literatura como um “curativo biológico”, pois protege a área tratada durante a cicatrização e possibilita a renovação do tecido cutâneo subjacente. Após a descamação da crosta, observa-se a formação de um novo tecido com características estruturais e funcionais aprimoradas.

Considerando seus mecanismos de ação, a principal indicação clínica do jato de plasma é o tratamento da ptose palpebral, possibilitando uma abordagem conhecida como blefaroplastia não cirúrgica. Assim, a retração tecidual associada ao estímulo fibroblástico contribui para a melhora da flacidez da região.

Além disso, o recurso pode ser utilizado no tratamento de diversas alterações estéticas, como, por exemplo, manchas senis, rugas e rítides, estrias, flacidez tissular, cicatrizes hipotróficas de acne e envelhecimento cutâneo.

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Microagulhamento na eletroterapia

O microagulhamento é uma técnica que promove micropunturas controladas na pele com o objetivo de estimular processos de reparo e regeneração tecidual. Tradicionalmente, o procedimento é realizado com um dispositivo em formato de rolo (roller), composto por agulhas de aço inoxidável dispostas paralelamente e previamente esterilizadas por radiação gama. Essas agulhas são de uso único e apresentam comprimento uniforme ao longo de todo o dispositivo, variando entre 0,25 mm e 3,0 mm conforme a indicação clínica.

A execução da técnica depende da habilidade do profissional, que deve aplicar movimentos curtos e precisos de vai e vem, geralmente em padrão de asterisco. Recomenda-se, por exemplo, realizar entre 10 e 15 passadas por área tratada, utilizando uma pressão controlada para garantir a segurança e a eficácia do procedimento.

Além dos rollers, existem dispositivos elétricos automatizados que realizam as micropunturas por meio de movimentos pulsáteis das agulhas. Nesses equipamentos, é possível ajustar tanto a velocidade de aplicação quanto a profundidade das punções, que normalmente varia entre 0,25 mm e 2,5 mm. As ponteiras são descartáveis e podem conter diferentes quantidades de agulhas.

Embora a técnica de aplicação mantenha o padrão de movimentos cruzados e repetitivos sobre a região tratada, os dispositivos elétricos dispensam a necessidade de pressão manual constante, proporcionando maior padronização das punções e melhor controle da profundidade de tratamento.

O recurso é indicado para o manejo de cicatrizes atróficas, alopecia, hiperpigmentações, flacidez, estrias e envelhecimento, e para promover a permeação transdérmica de ativos.

Eletrolipólise na eletroterapia

A eletrolipólise é um recurso utilizado no tratamento da gordura localizada. A técnica consiste na aplicação de corrente elétrica por meio de agulhas inseridas no tecido adiposo, com o objetivo de estimular processos lipolíticos nos adipócitos. Como resultado, ocorre a mobilização dos triglicerídeos armazenados, favorecendo a liberação de ácidos graxos e glicerol para o meio extracelular.

Além de sua aplicação no manejo do acúmulo adiposo, alguns estudos sugerem que a eletrolipólise pode atuar como recurso complementar no tratamento da celulite, especialmente quando associada a outras estratégias terapêuticas.

Diversos tipos de correntes elétricas têm sido empregados na prática clínica, uma vez que os mecanismos fisiológicos envolvidos parecem estar relacionados à modulação do sistema neuro-hormonal. Nesse contexto, a ativação do sistema nervoso simpático está associada ao estímulo da lipólise, enquanto a predominância da atividade parassimpática tende a inibir esse processo metabólico.

De modo geral, a estimulação elétrica promove uma série de respostas fisiológicas na região tratada, incluindo aumento da circulação sanguínea local, intensificação do metabolismo celular e maior demanda energética dos tecidos. Esses efeitos contribuem para a mobilização de substratos energéticos e podem, então, potencializar os resultados obtidos no tratamento das alterações do tecido adiposo.

Criolipólise na eletroterapia

A criolipólise tem demonstrado resultados consistentes na redução da gordura subcutânea em estudos pré-clínicos e clínicos. Embora os mecanismos envolvidos inicialmente não fossem totalmente compreendidos, o crescente número de pesquisas realizadas nos últimos anos ampliou o conhecimento sobre a técnica e contribuiu para sua popularização como uma alternativa não invasiva à lipoaspiração para o tratamento da gordura localizada.

Apesar de ainda existirem aspectos a serem esclarecidos, alguns mecanismos são amplamente aceitos para explicar os efeitos da criolipólise sobre os adipócitos. Entre eles, destacam-se:

  • Cristalização dos lipídios intracelulares
  • Dano mecânico direto às células adiposas
  • Lesão isquêmica induzida pelo frio
  • Efeitos decorrentes da reperfusão tecidual após o tratamento.

A teoria mais difundida sugere que o resfriamento controlado promove a cristalização dos lipídios presentes no interior dos adipócitos. Tal fenômeno é descrito em estudos experimentais como a formação de “cristais de gordura” ou “gelo lipídico”. Esse processo, em suma, desencadeia alterações estruturais celulares que culminam em uma resposta inflamatória local e na eliminação gradual dos adipócitos pelo organismo. Com isso, resulta na redução progressiva da camada adiposa tratada.

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