Durante muitos anos, a vacuoterapia foi um dos principais recursos utilizados por profissionais da Estética. No entanto, com o surgimento de novas tecnologias, a técnica passou a ser vista por muitos como ultrapassada. Mas será que essa percepção faz sentido? 

A resposta é não. Na verdade, o tempo permitiu que a Ciência investigasse seus mecanismos de ação, suas indicações e, principalmente, a sua segurança clínica. Por isso, hoje sabemos exatamente em quais casos a vacuoterapia pode oferecer excelentes resultados, e em quais ela não deve ser utilizada. 

O que é a vacuoterapia?

A vacuoterapia é um recurso terapêutico que utiliza pressão negativa para promover deformação mecânica dos tecidos. Embora tenha sido descrita cientificamente na década de 1970 para o tratamento de cicatrizes em pacientes queimados, o conceito é muito mais antigo.

Registros mostram que técnicas semelhantes já eram utilizadas há milhares de anos com ventosas, chifres de animais e recipientes de bambu ou metal. Com o avanço da tecnologia, no entanto, esses dispositivos evoluíram até chegar aos equipamentos modernos utilizados atualmente na Estética.

Ao longo dos séculos XIX e XX, a técnica evoluiu significativamente com o desenvolvimento de equipamentos capazes de gerar sucção de forma mecânica, tornando a aplicação mais controlada. Nesse período, a vacuoterapia passou a ser empregada principalmente na reabilitação de alterações musculoesqueléticas.

Um marco importante ocorreu na década de 1970, quando fisioterapeutas franceses passaram a estudar de forma mais sistemática a aplicação da pressão negativa para a mobilização dos tecidos, estabelecendo bases científicas para a técnica. Alguns anos depois, em 1986, surgiu o termo endermologia, utilizado para designar um dispositivo que associa a pressão negativa a roletes, motorizados ou não, permitindo uma mobilização tecidual mais eficiente e controlada.

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Vacuoterapia e endermologia são a mesma coisa? 

Embora os termos sejam frequentemente utilizados como sinônimos, existe uma diferença técnica importante.

Vacuoterapia: Utiliza apenas a pressão negativa (vácuo);
Endermologia: Combina a pressão negativa com roletes mecânicos, que promovem uma pressão positiva adicional sobre os tecidos.

Na prática clínica, ambos podem produzir resultados semelhantes quando corretamente parametrizados. No entanto, mais importante do que o tipo de equipamento é saber ajustar a intensidade da sucção e selecionar corretamente os pacientes.

Como a vacuoterapia atua no organismo?

O principal mecanismo de ação da vacuoterapia é a mecanotransdução.

Esse processo acontece quando uma força mecânica aplicada sobre o tecido é convertida em respostas celulares. Entre os principais efeitos estão, por exemplo, estímulo dos fibroblastos, remodelação do tecido conjuntivo, reorganização das fibras de colágeno, melhora da mobilidade entre os tecidos e aumento da microcirculação local.

Portanto, trata-se de um recurso eficaz para tratamento de cicatrizes e fibroses, remodelação tecidual, celulite com componente fibrótico e fibroses pós-operatórias tardias.

Contraindicações do recurso

Assim como qualquer recurso na Estética, a vacuoterapia exige avaliação antes de ser elencada na prática clínica.

Entre as contraindicações absolutas, estão:

  • Trombose venosa profunda;
  • Infecções agudas;
  • Feridas abertas;
  • Hemorragias ativas;
  • Neoplasias na área tratada;
  • Insuficiência cardíaca descompensada;
  • Distúrbios graves da coagulação.

Além disso, há contraindicações relativas, como gestação, uso de anticoagulantes, varizes calibrosas, diabetes descompensada e algumas doenças dermatológicas, que exigem análise individualizada antes da aplicação.

A vacuoterapia não é uma técnica ultrapassada e segue sendo estudada para garantir maior segurança clínica. Hoje, sabemos que seu maior potencial está na remodelação tecidual e no tratamento de fibroses, aderências cicatriciais e celulite fibrótica. Em suma, o diferencial na entrega de resultados está em compreender os mecanismos de ação e as indicações de aplicação, e realizar uma parametrização adequada para cada paciente.

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